Nowhere é uma iniciativa experimental para pesquisas, trocas, reflexões e práticas em arte contemporânea gerido por Cristiana Tejo, curadora, e Marilá Dardot, artista. Fundada em 2018, em Lisboa,  seu intuito inicial era criar um ambiente instigante, aberto para trocas horizontais e respeitoso para a discussão de estratégias conceituais e expressivas dos artistas participantes, além de oferecer interlocução, cumplicidade e integração no ambiente artístico lisboeta tanto para brasileiros como para pessoas de todas as origens. Desejou-se transformar o sentimento de não-lugar (nowhere) gerado pela experiência da imigração em um uso positivo das potencialidades do aqui e do agora (now here). Nesta caminhada de dois anos, o projeto aglutina 19 artistas que têm backgrounds diferentes e que fazem pesquisas artísticas muito diversas. Apostamos na diversidade para enfrentar as adversidades do fazer artístico num mundo em brutal transição. 

  

Até o início da pandemia de Covid-19 o nowhere abarcava os seguintes vetores: o laboratório de acompanhamento crítico para artistas, tanto na capital portuguesa como no Porto; o Projeto Finestra Sinistra em que artistas participantes dos grupos faziam intervenções na montra do espaço; nas exposições coletivas durante o FEA – Festival de Espaços de Artista; e em cursos e workshops com pesquisadores latino-americanos. A quarentena obrigou-nos a suspender parte destas atividades e a migrar para a internet. Nesse momento tão delicado, estar juntos pensando e fazendo arte fez mais sentido do que nunca, pois não há saída sem a re-imaginação coletiva do que deve ser este novo mundo que se avizinha. O confinamento apontou que sem arte não conseguimos lidar plenamente com a existência, já que ela não apenas nos eleva, encanta, distrai, mas nos faz principalmente ressignificar o mundo.  

 

Saímos fortalecidos da quarentena como grupo e como profissionais da arte. O Espaço nowhere é uma consequência orgânica das experiências vividas e da atenta escuta e observação do ambiente artístico português ao longo de dois anos.  Desejamos, portanto, continuar a desenvolver o talento de jovens artistas baseados em Portugal e amplificar o contato deles com o público local. Queremos ainda ampliar horizontes teóricos com novas formas de gerar conhecimento que não apenas as eurocentradas. Acreditamos que outras relações no mundo da arte são possíveis e que é urgente a mudança de posicionamento de seus agentes. Portanto, ao invés da competição, apostamos na colaboração; no lugar da hierarquia, construímos redes horizontais; ao contrário da formatação para o mercado, preferimos a complexidade de poéticas. 

 

Para manter o Espaço nowhere, criamos o Clube dos Colecionadores. Sabemos que o colecionismo de arte aliou-se ao capital financeiro e à expectativa de gerar lucro a partir de suas coleções e por isso as escolhas recaem em obras com visualidades já consolidadas no mercado. Mas acreditamos que apoiar o porvir,  abrir-se ao que ainda não está instituído seja uma das maneiras de contribuir para um novo mundo da arte. Ao apoiar anualmente o nowhere, você pode escolher trabalhos de arte escolhidos pela curadora Cristiana Tejo e a artista Marilá Dardot. Além de ajudar um espaço experimental, você estimula a produção de novos artistas.

+ informações: nowherelisboa@gmail.com